Depois de uma cansativa viagem, que obrigou os atletas a passarem quase três dias entre aeroportos de cinco países e a ficar praticamente 36 horas sem dormir, o Avaí estava pronto para encarar o Club de Fútbol Laguna na cidade de Torreón, norte do México. Um único treino coletivo antes da estreia confirmou a ausência de João Carlos e definiu a equipe titular para o jogo.
No primeiro tempo, Balduíno - considerado o melhor jogador em campo - perdeu diversas oportunidades que se convertidas certamente deixariam o Avaí em boa condição na partida. Mais eficiente nas conclusões, o time da casa aproveitou um contra-ataque para ir ao intervalo vencendo por 1 a 0.
Na segunda etapa, o escrete azurra sentiu o cansaço provocado pela viagem. Além disso, a altitude de 1.800 metros e a baixa temperatura (5º C) prejudicaram o desempenho da equipe, que sofreu mais dois gols e saiu derrotado de sua primeira partida. Foi a única derrota avaiana na excursão, numa prova que o cansaço e as condições adversas realmente haviam prejudicado o time.
Como saldo do confronto o Leão perdeu o jogador Lourival, que se contundiu e foi substituído por Celso. Além dele, Moura voltou a sentir uma antiga contusão no dedo do pé e provavelmente não atuaria mais durante a excursão, segundo os jornais da época.
Apesar da derrota, a imprensa elogiou bastante o time de Florianópolis, que causou boa impressão até nos comentaristas locais, que "teceram excelentes considerações nos editoriais esportivos de seus jornais e rádios, dizendo ter sido uma injustiça a derrota do clube brasileiro".
Segundo Mauro Pires, enviado especial do jornal O Estado, o Avaí "foi sempre superior ao adversário, mas surpreendido por contra-ataques rápidos e tomando gols considerados pelo treinador como profunda falta de sorte".
Com a boa atuação, o clube tentou marcar uma "revanche" contra os mexicanos, na certeza de um melhor resultado. O pedido foi negado pelos dirigentes do Laguna, fato que frustrou os próprios torcedores e a imprensa local. Após a partida, o Avaí permaneceu em Torreón, viajando apenas na terça-feira (03/02) para San Luis do Potosí, onde dois dias depois enfrentaria o Atlético Potosino.
Curiosidades
O Laguna, que usava as cores verde e branco, foi extinto em 1978 após ser vendido e ter se transformado no Club Deportivo Coyotes Neza. A última partida oficial do clube foi no dia 07 de maio de 1978, quando derrotou o Monterrey por 4 a 0;
Não deve-se confundir o adversário avaiano com o Santos Laguna, da mesma cidade e que usa as mesmas cores. Atualmente, o Santos disputa a primeira divisão mexicana;
Na folga que tiveram após o jogo contra o Laguna, os jogadores avaianos aproveitaram para fazer compras no comércio local. O produto mais adquirido foi o típico sombrero mexicano;
Durante a folga, o goleiro Rubão foi o mais assediado pelo público de Torreón. Vestindo uma camisa com o número 10 às costas, o arqueiro foi confundido com o rei do futebol sendo chamado pelas crianças de "Pelé";
O médico da delegação, Dr. Henrique José Beirão, teve que convencer os cozinheiros mexicanos a mudar o cardápio servido aos catarinenses. O motivo foi o excesso de pimenta dos pratos, que estava incomodando o plantel azurra. Durante aproximadamente uma hora, o médico permaneceu na cozinha do hotel orientando o "maitre" sobre variações no cardápio;
Ironicamente, o único membro da delegação que apresentou problemas de saúde foi o próprio Dr. Beirão, que teve sintomas de gripe, com tosse e sinusite. Ele ficou repousando no hotel e, na volta das compras, os jogadores o presentearam com diversas maçãs e peras.