A partir de hoje, o blog começa a relembrar a excursão realizada pelo Avaí na segunda metade de década de 70. Por dez dias, você conhecerá um pouco mais da odisseia avaiana pelos gramados da América Latina. A longa viagem, as dificuldades com a alimentação, o frio e a altitude, a novidade de jogar em um gramado sintético, as curiosidades e os detalhes de todas as partidas serão contados neste espaço.
A excursão
Era início de 1976. Em pouco mais de um mês (a delegação partiu de Florianópolis em 29 de janeiro e retornou à cidade no dia 02 de março), o Leão da Ilha desfilou sua arte e causou excelente impressão em quatro países das Américas. Espectadores do México, El Salvador, Costa Rica e Chile foram as testemunhas do bom futebol apresentado por Danilo, Rubens, Souza, Ari Prudente, Veneza, Orivaldo, Moura, Maneca, Jaíco, Emílson, Lourival, Balduíno, Luiz Éverton, Nereu, Celso, Ademir, Carlos, Volnei e João Carlos.
Foram oito partidas com três vitórias avaianas, quatro empates e apenas uma derrota, justamente na estreia. Um saldo altamente positivo, que só fez aumentar o prestígio do escrete azurra em uma época na qual as partidas internacionais eram raras para clubes de menor expressão. Para se ter uma ideia da repercussão positiva da viagem, a torcida avaiana promoveu um verdadeiro carnaval pelas ruas da cidade no retorno da equipe, com direito à cumprimento do Governador e do Prefeito ao grupo de atletas do Leão.
A partida
Com a presença de grande número de torcedores e de quase toda a diretoria do clube, o Avaí partiu na manhã de 29 de Janeiro de 1976 para uma nova excursão pela América Latina.
A delegação, constituída de 24 pessoas, foi chefiada pelo técnico Áureo Malinverni. assessorado pelo empresário Horácio Gutierrez, por Dacica e pelo médico do clube, Dr. Henrique José Beirão, além do jornalista Mauro Pires.
A lista dos 19 jogadores que viajaram em 1976 é a seguinte: Danilo, Rubens, Souza, Ari Prudente, Veneza, Orivaldo, Moura, Maneca, Jaíco, Emílson, Lourival, Balduíno, Luiz Éverton, Nereu, Celso, Ademir, Carlos, Volnei e João Carlos, que viajou lesionado.
A partida se deu por volta das 10 horas da manhã, em ônibus especial, fretado para transportar a delegação até o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde embarcaria com destino ao México.
Entre os mais emocionados com a partida estava o jogador Nereu, que num grupo de companheiros composto de Jaíco, Veneza, Volnei e Danilo não conseguia esconder a preocupação com a esposa que deixava por mais de um mês. Dizia que ela nem queria mais ir para o trabalho, para ficar com ele por todos os instantes antes da viagem.
Mais experientes em excursões, Ademir e Luiz Éverton não perdiam a oportunidade de fazer gozações com os novatos que lamuriavam pela distância dos familiares: "Esses parecem que não voltam mais pra casa!", ria-se Ademir.
A delegação avaiana apresentou-se para a viagem vestindo um reluzente terno azul-celeste, o que causou furor entre os torcedores que acompanhavam o embarque. Ademir foi alvo de gozação de um torcedor e saiu-se com essa: "Não tenho culpa se além de bom de bola levo jeito para manequim!".
Mais sério estava o goleiro Danilo, satisfeito com a excursão: "Para mim é uma recompensa jogar num time grande como o Avaí. A exposição que se consegue numa excursão de um mês às vezes não se consegue durante toda uma temporada por um time do interior!".
Na hora da partida do ônibus, os jogadores receberam o adeus do grande número de torcedores presentes, entre eles um emocionado casal - Seu Timóteo e Dona Rosa - que declarou: "Já nem sei a quanto tempo torcemos pelo Avaí, mas por ele fazemos qualquer coisa!".
Na hora da saída, ambos apertaram a mão de todos os jogadores, um por um. Os dois foram um fiel retrato da empolgada torcida avaiana que compareceu ao Adofo Konder naquela manhã, esquecendo-se do trabalho para prestar homenagens aos jogadores e desejar-lhes sucesso, "para que todos por esse mundo afora conheçam a força do Avaí!"
Nos últimos momentos, não faltaram bandeiras e o barulho dos foguetes, como numa final de um grande campeonato, tal era o valor que a torcida avaiana atribuía a iniciativa de conquistar a América naquela que era, até então, a mais importante excursão do Avaí.
A viagem
A chegada ao México para o primeiro jogo da excursão, por si só, já foi uma aventura digna de registro. A delegação saiu de Florianópolis numa quinta-feira (29/01) em ônibus especial fretado com destino a Porto Alegre. De lá, viajou para escala em Buenos Aires, onde passou toda a sexta-feira (30/01) comprando material e desembaraçando a documentação junto à embaixada.
Do aeroporto Jorge Chavez o Avaí seguiu para o Hotel Crillon, um dos mais luxuosos de Lima e onde ficavam hospedadas as personalidades que passavam pela cidade (o hotel foi fechado em 1999 e vendido no final de 2010). Às 12 horas do dia seguinte, o grupo foi levado para o gramado da Universidade do Peru para um treino desintoxicante. Na volta, o técnico Áureo Malinverne exigiu que os jogadores ficassem repousando no hotel, saindo dos quartos apenas para um banho de piscina.
A preocupação do treinador tinha razão de ser em função da desgastante viagem e considerando que o grupo ainda embarcaria para o México às 21h30 com chegada prevista à capital mexicana às 3 horas da madrugada do domingo (01/02). Após isso, mais uma hora de ônibus até chegar a Torreón (local do jogo), há apenas algumas horas antes da estreia contra o Laguna.
Finalmente, após três dias de viagem passando por 5 países diferentes, a delegação avaiana estava pronta para o primeiro jogo da excursão que fez história no futebol da Capital catarinense. No próximo post, você fica sabendo como foi a estreia azurra contra o Laguna, no México.
Fonte: Jornal O Estado, 30/01/1976.