Blog UNAM Pumas X Avaí: Pênalti inventado impede primeira vitória...
UNAM Pumas X Avaí: Pênalti inventado impede primeira vitória (1976)
UNAM Pumas X Avaí: Pênalti inventado impede primeira vitória (1976)

Após o empate sem gols com o Atlético Potosino, o grupo avaiano viajou até Durango para encarar o time da Universidade do México (UNAM Pumas) no domingo, dia 08/02.

Ao contrário da última partida, dessa vez os periódicos mexicanos não acreditavam que o time do Avaí pudesse obter sucesso na peleja. Afinal, o Pumas liderava o campeonato mexicano e estava invicto há 7 jogos, tendo derrotado na quarta-feira anterior o Leon por 3 a 1. Seu maior destaque era o atacante brasileiro Cabinho, com passagem pelo Flamengo.

Mesmo a imprensa de Florianópolis desacreditava seus representantes no México. A coluna "Lateral", publicada no jornal o Estado (sem identificação do autor) desanimava os torcedores com o seguinte comentário: "Não se surpreendam os leitores se o Avaí perder na partida de hoje por uma elástica goleada. O Universidad é, na atualidade, a melhor equipe do México e tem uma das três maiores torcidas."

O técnico  Áureo Malinverne, no entanto, acreditava que seus comandados pudesse apresentar um bom futebol: "(...) jogando com um time de maiores qualidades, como é o nosso próximo adversário, o Avaí se sairá bem melhor do que em relação às apresentações anteriores. Isto não aconteceu com o Atlético". A confiança do treinador se justificava com a liberação dos jogadores  João Carlos e Moura, deixando o grupo completo para a difícil partida.

O jogo

Confirmando a máxima de que "esse Avaí faz coisa" e contrariando o favoritismo adversário, o Leão iniciou  a partida comandando as ações e tocando a bola com qualidade. Com a volta de João Carlos à meia-cancha, o time se apresentou mais solto e criativo.

Cabinho
Cabinho

Apoiado por torcedores do América e do Guadalajara (rivais do Universidad), o Avaí abriu o placar aos 8 minutos. Após jogada individual de Carlos, que driblou três adversários pela direita e cruzou,  Luiz Éverton chutou forte no canto esquerdo do goleiro Monteia. Contra todos os prognósticos, o Avaí saía na frente do poderoso time mexicano. Três minutos mais tarde, Cabinho concluiu para excelente defesa de  Rubens. E o primeiro tempo transcorreu equilibrado sem maiores chances de gol.

Na segunda etapa, a esperada pressão do time local esbarrava no bom posicionamento da defesa azurra. Aos 28, novamente Cabinho teve a chance do empate, ao cabecear forte para mais uma interveção de Rubens. A bola ainda bateu no poste antes de sair para escanteio. Aos 30, foi a vez de Aendes chutar para fora com o gol aberto à sua frente.

Quando tudo se encaminhava para a improvável vitória brasileira, o árbitro Antônio Masquez entrou em ação para evitar que o Universidad perdesse a série invicta e passasse vexame: aos 45 minutos, Ayala lançou a bola na área e Aendes chocou-se com Rubens. Para espanto geral, "sua senhoria" assinalou pênalti. Inconformados, os torcedores que simpatizavam com o Avaí pularam o alambrado para protestar e tiveram que ser contidos pela polícia mexicana. Apenas aos 51 minutos de jogo Cabinho converteu a penalidade, decretando o empate. Inseguro, o árbitro encerrou a partida logo após a cobrança.

Curiosidades

  • Com 2.300 metros acima do nível do mar, a altitude da Cidade do México voltou a ser problema para a delegação. Muitos apresentaram dor no ouvido e sangria pelo nariz;

  • As duas partidas que o Avaí disputaria na semana seguinte na Guatemala foram suspensas, em função do terremoto que se abateu sobre aquele país;

  • Embora o Universidad fosse da Cidade do México, o jogo foi marcado para Durango  (1h50 de vôo) em virtude da corrida de touros marcada para a capital, que poderia tirar público da partida;

  • A partida foi beneficente, angariando fundos para as crianças órfãs e abandonadas de Durango;

  • O Universidad sagrou-se campeão mexicano na temporada 76/77, o que valorizou ainda mais o feito avaiano. O gol do título foi marcado por Cabinho.

  • Ficha completa do jogo

Fontes

  • Jornal O Estado, 08 e 10/02/1976

  • Agradecimento: Adriano Assis.

← Voltar ao Blog